domingo, 18 de maio de 2014





Cibercultura: o que muda na Educação

A comunicação caracterizada pela liberação do polo da emissão torna a rede digital uma rede social, um espaço cultural onde a cibercultura se desenvolve.


A cibercultura é a cultura contemporânea estruturada pelo uso das tecnologias digitais em rede nas esferas do ciberespaço e das ci­dades. O ciberespaço é a virtualização da comunica­ção. Formam-se as redes sociais e para Antoun (2008), promovem co­munidades de atividade ou interesse, gra­ças à democratização não só do acesso à informação, mas também da publicação de produções e da “vigilância participativa” - termo por ele desig­nado para se referir ao conjunto das ex­pressões de opinião postadas como co­mentários, nos am­bientes digitais. Em con­cordância com Lévy (2002), o pesquisador salienta a relevância das redes sociais, pela capacidade de ação e potencialidade coope­rativa.

Com a chegada da Web 2, a cibercultura vem se caracteri­zando com seus softwares e redes sociais mediadas pelas in­terfaces digitais em rede, pela mobilidade e convergência de mídias, dos computadores e dispositivos portáteis( tablets) e da telefonia móvel (celular). A mobilidade é a capacidade de tratar a in­formação e o conhecimento na dinâmica do nosso movimento na cidade e no ciberespaço simultaneamente. O acesso à internet é fundamental: tecnologias interativas online, chats, fóruns, wikis, blogs, twitter, orkut, videologs, etc

 Com a mobilidade, professores e alunos podem mapear, acessar, manipu­lar, criar, distribuir e compartilhar informa­ções e conhecimentos a qualquer tempo e espaço acessados por tecnologias de redes. Á segunda fase da cibercultura, vem agre­gando novas potencialidades ao processo de construção de conhecimento, principal­mente por conta da mobilidade


A arquitetura inter­textual, hipermidi­ática, dialógica e coautoral da cibercultura pode ser pensada com mais propriedade no âmbito educacional. O usuário insere-se como produtor e desen­volvedor de conteúdo e não somente como receptor de mensagem e/ou conteúdo de aprendizagem postado por outrem. “A ciber­cultura, ao conjugar texto, áudio, imagem, animação e vídeo, assume uma natureza hipermidiática, que potencializa as formas de publicação, compartilhamento e organi­zação de informações e amplia os espaços de interação” (Primo, 2008).

A cibercultura oferece a possibilidade de se trabalhar com diferentes dimensões da linguagem (textual, imagética, sonora...). Nesse cenário, destacamos o papel da simulação aos processos cogni­tivos. O registro das interações no ciberespaço traz uma importante contribuição para a metarreflexão do aluno, do professor e do grupo como um todo, sobre o processo de construção do conhecimento, na interfa­ce entre as dimensões intra e intersubje­tiva.

Os professores precisarão se preparar para lidar com a atualidade sociotécnica informacio­nal e comunicacional definida pela codifica­ção digital (bits) que garante o caráter plás­tico, hipertextual, interativo do conteúdo de aprendizagem tratável em tempo síncrono e assíncrono. A codificação digital permi­te manipulação de documentos, criação e estruturação de elementos de informação, simulações e formatações evolutivas nos “ambientes virtuais de aprendizagem”, con­cebidos para criar, gerir, organizar e movi­mentar uma documentação e para expres­sar, compartilhar, colaborar, comunicar e conhecer.

“O professor deve garantir no ambiente online de aprendizagem uma riqueza de funciona­lidades específicas, tais como: intertex­tualidade (conexões com outros sites ou documentos), intra­textualidade (conexões no mesmo docu­mento), multivocalidade (multiplicidade de pontos de vista), usabilidade (percursos de fácil navegabilidade intuitiva), integração de várias linguagens (som, texto, imagens dinâmicas e estáticas, gráficos, mapas), hi­permídia (convergência de vários suportes midiáticos abertos a novos links e agrega­ções)”(Santos, 2003);


Cada vez mais, no entanto, a mediação de professores se mostra impres­cindível, no sentido de, junto aos alunos, refletir sobre o impacto das tecnologias no cotidiano, as questões éticas que envolvem a sua utilização e a necessidade de esforço no sentido de transformar informações em conhecimentos que possibilitem um mundo mais equânime para todos.

Segundo Santaella (2008) “não podemos tratar as tecnologias digitais com o mesmo referencial que tra­tamos as mídias de massa. São tecnologias diferenciadas e, por isso, instituem outros processos cognitivos. A geração da TV é bem diferente da geração digital”.  Somente com a chegada da Internet é que foi possível começar a se pensar em desenhos didáticos que pudessem contemplar proces­sos interativos entre formandos e formado­res, via fóruns e listas de discussão. Contu­do, a primeira geração da Internet ainda não permitia a vivência plena da dialogia digital e da mediação partilhada (Pesce & Bruno, 2007) entre professores e alunos, pois aos alunos cabia acessar as informações do curso e, no melhor dos casos, interagir com o professor e com seus colegas de modo as­síncrono, via fóruns e listas de discussão. A vivência do conceito de coautoria ainda não se pronunciava.

Com a segunda geração da Internet, a chamada Web 2.0, é que a cibercultura se consolida.
Para Pierre Lévy (1997), analogamente à es­crita e à imprensa, as Tecnologias da Infor­mação e Comunicação (TIC) trazem consi­go um novo modo de pensar o mundo e de conceber as relações com o conhecimento. Nesse cenário, a simulação levanta-se como modo de conhecimento próprio da cibercul­tura. Os games e ambientes imersivos, como Second Life, ratificam a oportuna observação de Lévy e podem ser levados em conta na elaboração de de­senhos didáticos de cursos em EAD.



Lucia Santaella (2004) salienta que a interação insere-se na medula dos processos cognitivos, nos ambientes de rede. Ao desta­car que o dialogismo traz nova luz para se compreender a interatividade e seu papel no desenvolvimento do perfil cognitivo do leitor imersivo, a pesquisadora declara: “(...) assim como as operações realizadas no cibe­respaço externalizam as operações da men­te, as interatividades nas redes externalizam a essência mais profunda do dialogismo”.